Foto by Nilce Kaletka
"As imagens são palavras que nos faltaram."
Manoel de Barros
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quinta-feira, 19 de março de 2015
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
MANOEL DE BARROS
Os passarinhos se molhavam de
vermelho na manhã.
Manoel de Barros
- Compêndio para uso dos pássaros|
terça-feira, 25 de novembro de 2014
segunda-feira, 28 de julho de 2014
AVE
"Seu rosto tinha um lado de ave.
Por isso ele podia conhecer todos os pássaros
do mundo pelo coração de seus cantos."
Manoel de Barros,
in Aprendimentos
sábado, 1 de março de 2014
FORMIGAS
“ Não precisei de ler São Paulo , Santo Agostinho,
São Jerônimo , nem Tomás de Aquino ,
nem São Francisco de Assis –
Para chegar a Deus .
Formigas me mostraram Ele .”
( Eu tenho doutorado em formigas .)
Manoel de Barros ,
in " Poesia Completa "
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
MANOEL DE BARROS
( ...)
" O mundo era um pedaço complicado para
o menino que viera da roça .
Não vi nenhuma coisa mais bonita na
cidade do que um passarinho .
Vi que tudo o que o homem fabrica
vira sucata : bicicleta , avião , automóvel .
Só o que não vira sucata é ave ,
rã , pedra .
Até nave espacial vira sucata .
Agora eu penso uma garça branca de brejo
ser mais linda que uma nave espacial .
Peço desculpas por cometer essa verdade ."
Manoel de Barros
in , " Memórias Inventadas "
domingo, 20 de outubro de 2013
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
TUDO ESTÁ PREPARADO...
"Tudo está preparado para a vinda das águas.
Tem uma festa secreta na alma dos seres.
O homem nos refolhos pressente o desabrochar.
Caem os primeiros pingos.
Perfume de terra molhada invade a fazenda.
O jardim está pensando... em florescer."
Manoel de Barros,
in Livro de Pré Coisas
in Livro de Pré Coisas
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
OLHAR PARA BAIXO
Aprendo mais com abelhas do que com aeroplanos.
É um olhar para baixo que eu nasci tendo.
é um olhar para ser menor, para o
insignificante que eu me criei tendo.
O ser que na sociedade é chutado, como uma
barata - cresce de importância para o meu
olho.
Ainda não entendi por que herdei esse olhar
para baixo.
Sempre imagino que venha de ancestralidades
machucadas.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das
coisinhas do chão -
Antes que das coisas celestiais.
Pessoas pertencidas de abandono me comovem:
tanto quanto as soberbas coisas ínfimas.
Manoel de Barros
in "Retrato do artista quando coisa"
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água, pedra, sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos,
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
Manoel de Barros
In:"Memórias Inventadas"
AS BENÇÃOS
Não tenho a anatomia de uma garça pra receber
em mim os perfumes do azul.
Mas eu recebo.
É uma bênção.
Às vezes se tenho uma tristeza, as andorinhas me
namoram mais de perto.
Fico enamorado.
É uma bênção.
Logo dou aos caracóis ornamentos de ouro
para que se tornem peregrinos do chão.
Eles se tornam.
É uma bênção.
Até alguém já chegou de me ver passar
a mão nos cabelos de Deus!
Eu só queria agradecer.
Manoel de Barros
NINGUÉM
Falar a partir de ninguém faz comunhão com as árvores
Faz comunhão com as aves
Faz comunhão com as chuvas
Falar a partir de ninguém faz comunhão com os rios,
com os ventos, com o sol, com os sapos.
Falar a partir de ninguém
Faz comunhão com os seres que incidem por andrajos.
Falar a partir de ninguém
Ensina a ver o sexo das nuvens
E ensina ao sentido sonoro das palavras.
Falar a partir de ninguém
Faz comunhão com o começo do verbo.
Manoel de Barros
In Ensaios Fotográficos
MANOEL DE BARROS
***
Lugar sem comportamento é o coração.
Ando em vias de ser compartilhado.
Ajeito as nuvens no olho.
A luz das horas me desproporciona.
Sou qualquer coisa judiada de ventos.
Meu fanal é um poente com andorinhas.
Desenvolvo meu ser até encostar na pedra.
Repousa uma garoa sobre a noite.
Aceito no meu fado o escurecer.
No fim da treva uma coruja entrava.
Manoel de Barros —
in: Os Deslimites da Palavra
domingo, 9 de junho de 2013
MANOEL DE BARROS
Quando as aves falam com as pedras
E as rãs com as águas
É de poesia que estão falando
Manoel de Barros
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