quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A CASA DO TEMPO PERDIDO




" Bati no portão do tempo perdido,
ninguém atendeu.
Bati segunda vez e mais outra e mais outra.
Resposta nenhuma .

A casa do tempo perdido está coberta de hera
pela metade; a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém,
e eu batendo e chamando pela dor de chamar 
e não ser escutado.

Simplesmente bater.
O eco devolve minha ânsia de entreabrir 
esses paços gelados.
A noite e o dia se confundem no esperar,
no bater e bater .


O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado."


Carlos Drummond de Andrade