quinta-feira, 4 de junho de 2015

PAUSA



Uma estrela, tão bela! É a margarida 
na cerca eflorescente, e os jardins, 
e o segredo do início, e a dor dos fins,
e a vida, e a vida, sobretudo a vida ...
E a vertigem do som, despenhadeiro
onde aladas manhãs mal se projetam 
e as vagas tardes espraiam-se e inquietam 
a alma, e vem de tudo um espinheiro 
e ao mesmo tempo a paz indefinível 
que cai sobre o silêncio do ser triste 
e o que acaso existe ou não existe 
como um ardor de brasa inconsumível, 
e a esperança mais alta e de tal sorte 
perseguida, e o sol cálido e a luz serena 
da noite, e a estranha paz que longe acena ...

Alphonsus de Guimaraens Filho