sexta-feira, 5 de abril de 2013

VEM VENTO, VARRE



Vem vento, varre
sonhos e morto
Vem vento, varre
medos e culpas. 
Quer seja dia,
quer faça treva,
varre sem pena,
leva adiante
paz e sossego,
leva contigo
noturnas preces,
presságios fúnebres,
pávidos rostos
só covardia.
Que fique apenas
ereto e duro
o tronco estreme
de raiz funda. 
Leva a doçura,
se for preciso:
ao canto fundo
basta o que basta.

Vem vento, varre!

Adolfo Casais Monteiro