domingo, 17 de agosto de 2014

PALMEIRA



Olho a nobre palmeira, em cujo cimo, a fronde
Se agita a farfalhar; e, ora canta e assobia, 
Ora esbraveja, em fúria, ou solta, de onde em onde, 
Gemidos de uma atroz, lancinante agonia . . .

Que alma contraditória em teu cerne se esconde 
Que te faz rir, alegre, ou suspirar, sombria? 
E a palmeira imperial, humilde, me responde:
-Não sou eu! Quem me agita a fronde é a ventania!

Olho, agora, aos meus pés uma couve tronchuda 
As folhas oscilando em leve movimento,
Para cá, para lá conforme o vento muda.

-Esta, digo eu, não tem prazer nem sofrimento!
E ela, abrindo num riso a face repolhuda, 
Impa de orgulho e diz: - Sou eu quem faz o vento!


Bastos Tigres
Antologia Poética