sexta-feira, 30 de maio de 2014

O VENTO



Ó voz cheia de lágrimas! ó vento
Perdido na infinita soledade!
Eterno peregrino da saudade,
Eu compreendo bem teu sofrimento!

Ó voz cheia de lágrimas! Quem há de
Adivinhar a dor do teu lamento?
E quem descobre em ti um sentimento
E um coração na loca tempestade?

Ó voz cheia de lágrimas, lembrando
A Natureza inteira soluçando,
Alma penada a errar no céu profundo!

Quem sabe a dor do vento, as suas mágoas,
Quando adormece, à noite, sobre as águas,
Num silêncio que vem de além do mundo? ...


Anrique Paço D’Arcos
in Poesias Completas