sábado, 27 de setembro de 2014

ATUALIDADE DO AZUL



Uso a palavra azul como quem ousa
usar a asas do pássaro e reduzo
o símbolo da cor a qualquer cousa
tornada conivente pelo uso.


Sem asa e azul o pássaro não pousa
nas nuvens do real, como me escuso
de inscrever a palavra numa lousa
ou de enterrá-la como um parafuso.


Mas o azul não incide nos meus atos
nem o vôo do pássaro me oprime
a ponto de frear os meus sapatos.


Uso azul quando azul em terra escôo,
mesmo porque não configura crime
falar de céu quando o assunto é vôo.

1963


Lago Burnett
In: Estrela do Céu Perdido