quarta-feira, 24 de setembro de 2014

DA PROCURA QUASE MÍSTICA




A rua é um campo de papoulas. Cada
Destino cinge-se do sangue e augura
O Encontro. E todos ardem na procura
De algo impreciso, chama soterrada;

Sombrio sortilégio, luz buscada
Em noite interna ou na charneca impura.
Em todos, esse mapa de aventura
E a certeza de ter hora marcada;

O toque intransmissível, inadiável,
O momento suspenso, o ser pendente
Sobre a treva quebrada em lantejoulas;

O Encontro está presente, indecifrável:
Os Fados vão cruzando novamente,
A rua campo inquieto de papoulas.


Paulo Bomfim
Sonetos da vida e da morte
1963