quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

CANTO ÍNDIO




Sou índio.
Sou bravo, sou forte,
sou filho das matas
que vão sendo destruídas
com seus bichos, seus frutos,
suas fontes, seus aromas,
seu mistério.

Sou índio.
Sou íntimo da Lua e do Sol
e das águas.
Sou amigo de todos os seres da Terra.
Sou um com a natureza.

Sou índio.
Tenho a pele vermelha.
Canto e danço,
sinto e penso,
amo e poemo.
Venero os meus mortos,
reverencio os espíritos,
adoro o Grande Deus.

Que mais querem saber
para concluir que sou homem?

Já estava aqui
quando os outros vieram.
Mas não é isso o que importa.
A natureza tem todas as cores.
E a terra é de todos os homens.

Sou índio.
Sou um com a natureza.
Conclamo o Saci, a Iara,
o Boitatá, o Curupira,
todos os espíritos, Tupã
e os homens de qualquer cor
para velar por estas matas
e por estes rios.

A Terra é de todos.

Anderson Braga Horta
In Pulso (2000)